terça-feira, 6 de maio de 2008

Faça-se a Lei

Os problemas de uma cidade são enormes e são do nosso interêsse, mas não podemos deixar de cuidar de nosso quintal, de nossas coisas, o que move o nosso cotidiano.
Vou colocar o dedo em uma ferida que sangra diante de nós e que, me parece, não está sendo considerada em todas as implicações. Falo das greves nos serviços públicos.
Sou amigo de professores, médicos e funcionários e acompanho a batalha que travam contra a desintegração das estruturas de trabalho e dos salários, contra as precárias condições que encontram para desempenhar as funções a que se abrigaram.
Quem de nós não guarda a doce lembrança da professora primária, do pediatra, dos profissionais que nos orientaram em nossos primeiros passos? Quem não sentiu a atenção afetuosa dos que aliviaram nossos temores em momentos decisivos de nossas vidas? Quer profissões dignas, e que merecem ser dignificadas, que são as de mestres, médico, servidor público.
Por serem dignas, não podem conviver com indignidades. O funcionário público, como o nome diz, existe para servir ao público, ao povo que paga seus salários com os impostos que lhe são cobrados em tudo que adquirem.
Na relação que se restabelece entre o servidor, a autoridade e o público, todos devem ser respeitados, mas o último é o mais sagrado. É ele a razão da existência do funcionário, que recebe para servi-lo, e da autoridade, que recebe um mandato com tempo determinado também para servi-lo.
Quando a Autoridade Municipal, Estadual ou Federal não cumpre suas obrigações para com o povo que representa, deve ser demitida ou derrotada nas urnas. Quando desrespeita os direitos trabalhistas dos servidores, deve ser enfrentado com as armas da lei. Aqui é que entra um dado da questão que é pouco considerado nos movimentos grevistas do funcionalismo.
Enfrentar a injustiça e o mau salário é um direito, mas a forma de utilizar este direito nem sempre tem sido correta. A greve é um recurso extremo e deve ser empregada para trazer prejuizo para o patrão e força-lo a negociar. Mas qual o prejuizo que sofre o prefeito, o Governador ou o Presidente da Republica quando os médicos, professores, e outros funcionários de serviços essenciais à vida da população param de trabalhar?
Nenhum. Quem sofre é a população, que se enfileira nas portas dos hospitais, que vê seus filhos impedidos de aprender a comer nas escolas públicas.
Quem não tem dinheiro para procurar hospitais e escolas particulares.
A Constituição diz que o direito de greve do funcionário público será exercido nos termos e nos limites definidos em lei complementar. O Congresso não fez a lei e todo mundo finge que ela existe. Tanto que entram em greve e querem continuar recebendo seus salários. Acham normal receber o público pelo trabalho que não realizam. Me desculpem a ousadia, mas eu penso que o dinheiro do público so deve ser usado para servi-lo.
Faça-se a lei então faça-se a greve.

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