A melhor pena para um criminoso é aquela que educa. Prender alguém em uma cela com mais de 50 presos, sem propor nenhuma atividade útil, um trabalho, uma leitura, deseduca, estimulando a prática criminosa constante depois que se recupera a liberdade.
Lendo um jornal de grande circulação na cidade de Blumenau-SC, achei espectacular esta noticia:Um Juiz deu liberdade provisória a três meliantes já condenados, pois os mesmos, invadiam computadores para contaminar com vírus e roubar senhas de bancos, sob a condição de que leiam dois extraordinários autores: GRACILIANO RAMOS E GUIMARÃES ROSA. Questionado sobre a pena alternativa aplicada, O JUIZ AFIRMOU: Nada como ler " VIDAS SECAS" para perceber o que é vida dura. Concordo, mas é necessário cobrar dos jovens a leitura, não uma resenha, que pode ser copiada da Internet, mas uma interpretação minuciosa, e que essa leitura seja acompanhada por um professor em uma biblioteca, algumas horas dia.
Para ler e entender GUIMARÃES ROSA é fundamental ter bastante leitura a anterior de qualidade para penetrar na linguagem desconcertante do autor de " GRANDE SERTÃO: " VEREDAS E " SAGARANA." além das obras literárias , o Juiz poderia incluir textos filosóficos que tratassem de ética e de moral, com orientação de um professor de filosofia.
Os pequenos criminosos precisam ser educados antes que se tornem grandes criminosos. E a obrigatoriedade de leitura de bons autores não deve ser encarada como um castigo, mas como prêmio porque, a partir de adquirir esse hábito, o leitor dessas obras passará a perceber o absurdo que representa invadir computadores para roubar senhas.
Sem educação e leitura, é praticamente impossível recuperar alguém. O crime e o ambiente carregado de uma prisão levam a mais atitudes criminosas. Já a leitura leva às reflexão, a uma reconstrução interior que se dá a partir do momento em que o novo leitor descobre que esse é o caminho que vale realmente a pena trilhar.
Que outros Juízes criem para alguns delitos penas alternativas, sempre ressaltando a importância de ler, de pensar, de filosofar, de criar, de viver ampliando o seu universo de ideias e de possibilidades. Cabe a justiça ser criativa e propor, ao decidir por uma pena alternativa, recuperação do indivíduo, não a manutenção do mesmo em um Estado de desagregação que não interessa a ninguém.
Uma sociedade de alienados é uma sociedade de seres vulneráveis à marginalidade, independente da classe social a que pertençam.
Roubar, muitas vezes, principalmente para jovem da classe média, representa uma aventura, sair da rotina. Por que não não sair da rotina, então lendo e viajando por romances e peças teatrais, atuando como ator em uma peça, pintando um quadro ou esculpindo, tocando um instrumento? A aventura é criar é muito mais instigante do que aventura de destruir.
Só que demanda mais esforço e precisa ser incentivada.
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