sexta-feira, 13 de junho de 2008

VÍTIMAS PRÉ-FABRICADAS

Não tenho mais dúvida disso. Em todas as cidades brasileiras existe hoje uma grande fabrica de vítimas. Eu utilizo esta expressão para me referir não às vítimas genuínas, forjadas na injustiça e na miséria, mas às vítimas pré-fabricadas, nascidas de denúncias graves, a partir de depoimentos, gravações, indícios e provas.
Vou dar um exemplo: O ex-presidente do SENADO Renan Calheiros, que quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção contra êle, já se colocou no papel de vítima, de injustiçado e, nessa condição ficou até o fim. Perdeu a presidência do Senado, a credibilidade, mas manteve o mandato, os salário e todas as regalias do cargo.
Fazer-se de vítima, por mais desgastado que seja o recurso compensa.
Outro Exemplo: O Deputado Federal Paulinho, presidente da Força Sindical, que está enrolado em uma séria de denúncias de participação em um esquema de desvio de recursos do BNDES( Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social) acontece o mesmo. Assumiu o papel de vítima e acredita que, repetindo a exaustão que esta sendo perseguido pelos seus inimigos será salvo de cassação e da perda de direitos políticos. Ele tem motivos para acreditar nisso.
Agora, a ministra da Casa Civil a toda poderosa com sua cara de anjo é acusada de favorecer uma determinada empresa na venda da VARIG, também usa o mesmo discurso. Diz sempre em alto tom que está sendo vítima de fogo inimigo. Será?
Houve especulação de que estaria sendo vítima de fogo amigo, quer dizer, de membros do PT que não querem que a sua candidatura à Presidência da Republica em 2010 decole. A Super-Ministra afirma que o fogo que a vítima vem de lides inimigas, da oposição.
Enquanto as vítimas de ocasião aparecem sem parar, para se defender de acusações com uma fala que não convence, a vítimas de verdade estão espalhadas por todos os cantos. Nas filas dos hospitais públicos, há milhares de vítimas de um sistema apodrecido, esperando o atendimento nas piores condições possíveis. Nas ruas das grandes cidades, e também de algumas médias, crianças cheirando cola, cocaína, maconha, esquecidas, sem futuro, perecem ao relento.
Em muitas fazendas, trabalhadores rurais, sem carteira assinada ou garantia, escarnam o papel de escravos do século XXI, sem que essa realidade seja transformada e a escravidão termine de uma vez por todas.
Há uma grande distância entre as vítimas pré-fabricadas na política e as vitimas históricas, que tem na memória e no estômago a palavra fome como uma herança trágica e destruidora.
As vítimas de colarinho branco não são vítimas de nada, mas de uma certa forma responsáveis pelas vítimas do abandono, do capital que explora, que violenta, que ceifa vidas anónimas, invisíveis, que não passam de número apagado em estatística que quase não são divulgadas.
As " VÍTIMAS" com poder fazem parte de uma casta que se coloca acima das vítimas reais, ignorando-as até a medula.

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