Que boa peça nos pregou o inverno! Esperamos por ele ansiosamente, tiramos do armário os agasalhos com cheiro de naftalina, juntamos a lenha para a lareira, separamos a melhor cachacinha para "esquenta peito" dominical e nada do frio chegar.
Quem chegou primeiro foi junho que, logo depois terminou ( a impressão que se teve foi a de que ele durou nem 20 dias, tão depressa passou)
E cadê o frio?
Havia ainda uma expectativa: a de que a chegada das estações climáticas estão se atrasando, de ano para ano, de modo que ainda era possível a chegada do frio.
Qual o quê! Julho também chegou e se foi, sem que o inverno desse o ar da graça nesta terra outrora abençoada por Deus.
E entramos firme no fatídico agosto, sem que o frio viesse acalentar os nossos sonhos tropicais.
Quando falo em frio, refiro-me àquele inverno rigoroso de outros tempos de rachar os lábios e desafiar os mais pesados agasalhos, e não esse friorzinho maroto que nem parece frio, de tão tímido se apresenta.
É incrível como tem mudado a temperatura. O homem ainda não percebeu , em toda a extensão, a ameaça que paira sobre o planeta, em consequência das mudanças de temperatura e, simultaneamente, da criminosa ação devastadora que assola a terra.
A consciência ecólogica não é um simples modismo inconsequente, mas um brado de alerta contra uma realidade que embora pouco nítida, a todos envolve e ameaça.
Apesar das sucessivas denuncias, o desmatamento continua sistemático e criminoso, já agora não apenas nas florestas, mas nos campos e cerrados, arrancando da terra a própria vida que motiva a natureza.
Não satisfeito o homem prossegue no seu espírito estúpido propósito destruidor, provocando as queimadas que tudo engolfam.]A ação devastadora do homem intensifica a própria natureza que, antes rejuvenescedora e pródiga, vai se tornando aos poucos, instrumento de auto-destruição.
Dou, neste sentido, um depoimento pessoal: Vejo pela televisão, de ano para ano, o desmatamento crescente, sem que a mão do homem seja o agente destruidor.
As autoridades proíbem o desmatamento com rigor, isto é, a derrubada indiscriminada de árvores e, ainda assim, os bosques antes compactos, estão praticamente desaparecendo , deixando atraz de sí a funesta paisagem de troncos retorcidos e podres.
A mata virgem, que acolhe passáros diversos, micos, tatus, veados, é hoje uma cortina transparente, deixando à mostra uma paisagem antes imaculada.
A verdade é que o inverno se vai, sem haver chegado. Guardo, desapontado, os agasalhos. Desisto do aconchego do frio. Esqueço as tentações do inverno.
Nesta quadra do ano, restou apenas, a beleza do céu, com o seu azul sem par.
Um bom consolo, sem dúvida.
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