Um em cada quatro presos é adolescente. Quando o adolescente vai para o crime existem falhas estruturais do Estado, da família e da sociedade em geral. Adolescentes deveriam estar na escola para instrução normal e profissionalizante.
A Prefeitura anuncia para este mês muitas obras e o asfaltamento de ruas em grande evidência.
Nenhuma delas voltada diretamente ao adolescente em risco. Isso ainda porque a área social é a prioridade para administração municipal. Reformar, construir e ampliar equipamento é bom, porém eles não funcionam sozinhos. Cadê os programas de esporte, lazer, arte, cultura, profissionalização e orientação vocacional para os jovens da periferia. Os programas existentes são paliativo, por isso as doações vão a pique.
Se existe alguma vitória pontual, se deve ao idealismo e persistência dos educadores, sempre mal pagos e mal valorizados. Como se dar ou não esmolas resolvesse alguma coisa, o que se quer é tirar das vistas crianças feias e mal nutridas. O porque pedem, a ninguém interessa.
Vejo uma orquestrada propaganda enaltecendo o progresso dessa cidade, onde ninguém mais tem coragem de sair a noite de casa senão de carro. Muros altos, grades, alarmes, câmeras, cerco, trafico, roubos, assaltos... se isso for progresso prefiro voltar as cavernas.
Cada quatro presos um é adolescente. Isso não tira sono de ninguém? Nem dos pastores que negociam rebanhos com lobos? Nem Igreja Católica, já que quem se cala consente? Sequer dos Sindicatos que em vez de reinvidicar treinamento para jovens sem recursos iludem os trabalhadores com mega festas de primeiro de Maio? Ao menos do SENAI, SESI, recebem grandes recursos, poucos oferecem para jovens da periferia. Talvez grandes sindicatos como a FIESP se preocupa, já que não fazem o suficiente para que a Lei do aprendiz seja executada.
Por que não da nossa Câmara de Vereadores, esse coral de concordinos que canta que o executivo manda? Pode ser que em 2010 se inquiete com, a situação e sua visão alcance os filhos de seus porteiros, domésticos, motoristas e caseiros.
Se esses adolescentes presos voltassem recuperados poderia ser uma saída. Contudo, se as próprias escolas públicas ( respeitando as execessões), que foram criadas para ensinar, são uma calamidade, imagine um centro de recuperação onde só existem filhos de ninguém. Só Deus sabe em que estado de lá sairão; santos que não.
Além do mais, essas crianças estão profundamente marcadas pela miséria no seu lado mais cruel de desprezo, violência e abandono.
Existe alguma clínica ou algum remédio que cure a dor do desamor? Dirão os néscios que a família é culpada. Ora, quem fez a família se desintegrar para sobreviver senão esse sistema ateu? Quem ridiculariza a mulher que fica em casa e endeusa aquela que terceriza a educação dos filhos para enrijar os patrões e acabar numa escravidão de tríplice jornada?
Além de uma escola autoritária e atrasada no tempo e no espaço o que existe para os filhos da exclusão? Estão sendo empurrados para a descrença,para o ócio, para o tráfico, para o sexo precoce, para a violência e para a alienação.
Pagaremos caro por isso. Quem sobreviver verá. Em mãos que carregam livros não cabem armas.
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