domingo, 2 de novembro de 2008

REVOADA DE VEREADORES

As eleições municipais de 05 de outubro de 2008 foram sem dúvida, um espetáculo de maturidade democrática. É formidável que numa cidade como a nossa e com tantas disparidades sociais, não se tenha dado um único incidente capaz de macular o processo eleitoral.
O pleito, além disso, transmitiu alguns recados e sinalizou significativas mudanças na cultura do nosso povo. Incrível, mas é verdade.Quantas mudanças.
O eleitor mandou dizer aos caciques tradicionais que os seus reinados estão expirando. Vejamos: o Governador Dr. Aécio Neves ( PSDB) não obstante o poder de articulação, foi derrotado na própria casa. O Deputado Federal Reginaldo Lopes ( P.T.) idem. Enfrentou inusitadas dificuldades no seu território. Perdeu a Prefeitura. Foi derrotado também. Dois exemplos . Emblemáticos.
A cegueira causada pelas ambições politicas, contudo, os incapacita para vislumbrar o segundo recado do eleitorado: o asco provocado pelas alianças de ocasião. O vale-tudo na caça aos votos dos derrotados poderá propiciar algum noticiário na mídia muito em breve.Mas renderá muito pouco na hora do voto concreto. Do seu, do meu, caro leitor.
Assistiremos, mareados, ao espetáculo de acordos surrealistas e, certamente, aéticos. Mas o eleitor não é pau-mandado de ninguém. Ele valoriza o seu voto.
Impressionou-me a alegria estampada rosto de um jovem que votava pela primeira vez. " Eu estou mudando a vida politica de minha cidade" comentou com idealismo próprio da idade.E, no fundo, tem razão.
Transferência de voto é ilusão de quem imagina tudo é negociável. Estamos assistindo, todos, ao acaso dos caciques. É um fato irreversível.
Outro recado claro de eleitores: a crescente demanda de competência e honestidade. O rolo compressor da onda petista esbarrou num muro ou melhor num dique discreto. Assustaram e perderam o espaço. Não existe a onda de quem ficou no segundo lugar é o melhor.Tentaram capitalizar mensagens do LULA e do Deputado Federal Reginaldo Lopes e não conseguiram o objetivo. Ficou para a próxima eleição.
Os eleitores de nossa cidade já sabem que campanhas milionárias e imagens produzidas já não seduzem tanto o eleitor. Durante décadas assistimos "a agonia da politica e ao advento do espetáculo. As superproduções dos criativos emissários dos coroneis não se mostram suficientes para garantir a vitória. Os programas eleitorais vendem uma bela embalagem, mas de fato, são muito pobres nas discussões das idéias. E o eleitor tomou consciência disso.
E nós, da imprensa, estamos acordando para o nosso papel. Cabe-nos a tarefa de rasgar a embalagem e mostrar os candidatos reais.
Podemos e devemos reduzir os efeitos nocivos do espetáculo produzido pelos desvios do marketing e intermediar o que realmente importa: o debate dos programas e das políticas públicas.
A verdade, caro leitor, é que a nossa cidade está passando por uma profunda transformação.
O regaste dos valores éticos e a consciência da cidadania estão na base dessa mudança. E a mídia, livre e responsável, tem papel essencial no processo.
Um jornalismo cor-de-rosa é socialmente irrelevante. A imprensa, sem pricipitação e injustos prejulgamentos, tem o dever de colaborar na recuperação da ética na vida pública.
Nosso compromisso, e também o seu, caro leitor, não é com a s celebridades locais, mas com a verdade. E nada mais.
Quem governa uma Prefeitura com honestidade consegue o seu objetivo e quem legisla com incompetência não consegue também o seu objetivo.
Prefeito e vereador que abandona o seu eleitor e seus amigos não merecem ser reeleitos.
E foi por incompetência mesmo que perderam a sua cadeira.
O povo reagiu e mudou tudo. Houve uma revoada. Agora é esperar.
Novo prefeito e novos vereadores. O tempo dirá.

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