O noticiário sobre política em jornais, tradicionalmente forte nos segmentos qualificados do leitorado, perdeu vigor. Está frequentemente, dominado pela fofoca e pelo declaratório. Não tem notícia, mas sobra suposição sem fundamento e documentação.
O marketing político avançou além da conta. Estamos assistindo a morte da politica e ao advento da era do declaratório e da inconsistência. Políticos e partidos vendem uma bela embalagem, mas fogem das discussões e ideias. Nós, jornalistas, somos (ou deveriámos ser) o contraponto a essa tendência. Cabe-nos a missão e rasgar a embalagem e mostrar a realidade.
Só, nós, estou certo, podemos minorar os efeitos perniciosos do espetáculo audiovisual que, certamente, não contribuiu para o fortalecimento de uma democracia sólida e amadurecida.
Por isso, uma cobertura de qualidade é, antes de mais nada, uma questão de foco. É preciso declarar guerra ao jornalismo declaratório e assumir efetivamente, a agenda do cidadão. O nosso papel é ouvir as pessoas, conhecer as suas queixas, identificar suas carências e cobrar soluções dos governantes. Não se pode permitir que políticos e suas assessorias de comunicação definam a agenda das coberturas jornalísticas. O centro do debate tem de ser o cidadão, as politicas públicas, não mais o político, tao pouco a própria imprensa.
Outros riscos ameaçam a qualidade da cobertura de politica. Sobressai, entre eles, o perigo da instrumentalização da imprensa.. Os protagonistas do teatro politico não medem esforços para fazer com que a mídia, "à sua revelia , destile veneno nos seus adversários. Por isso, é preciso revalorizar, e muito as clássicas perguntas que devem ser feitas a qualquer repórter que cumpre a pauta investigativa: checou? Tem provas? A quem interessa essa informação? Sacou?
O esforço de isenção, no entanto, não se confunde com a omissão. O leitor espera uma imprensa combativa, disposta a exercer o seu instransferível dever de denúncia.
A sociedade quer um quadro claro, talvez um bom infográfico, que lhe permita formar um perfil dos homens públicos: seus antecedentes, sua evolução patrimonial, seu desempenho em cargos atuais e anteriores etc. Impõe-se, também, um bom levantamento das promessas de campanha.
É preciso mostrar os eventuais descompasso entre o discurso e a realidade. Trata-se, no fundo, de levar adiante um bom jornalismo de serviço.
Só uma séria retomada na qualidade informativa garantirá a fidelidade dos antigos leitores e a conquista de novos. Precisamos mostrar que o jornal continua sendo útil, importante, interessante.
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